terça-feira, 30 de novembro de 2021

Festa de Natal - Totonha Lobo


 




 A impaciência das crianças, logo no inicio de reuniões de natal, seria minimizada se os presentes fossem distribuídos logo que todos os pirralhos chegassem à festa.

Afinal qual o sentido de uma enorme árvore com os pacotes aos seus pés? Somente instigar a curiosidade de que naqueles lindos pacotes estaria o seu objeto de desejo?

E daí tem menino puxando a saia da mãe pedindo que comecem logo a entrega. A menina gritando que também está  querendo o seu. Daí vêm as respostas: espere um pouco; falta chegar seu primo; espere, não chegaram todos os convidados. A impaciência entre as crianças vai aumentando e assim aparecem os bicos, os resmungos,  as caras feias por conta da insatisfação. A festa, para eles vai ficando enfadonha, enquanto os adultos só no bebe, come, come e bebe, à vontade, em conversas de diferentes assuntos esquecem que aquele dia é de crianças.

É dia do aniversário da Criança Luz que nasce e vem dar sentido ao mundo. E a Criança ali quietinha, no presépio todo bem representado em lindas e caras esculturas.

Dia de crianças, nossas esperanças, ainda que peraltas que tentaram ficar “boazinhas” pelo menos por um dia ou horas, condição do Papai Noel nas televisões para trazer o presente que deve ser um dos ali embrulhados. Aquilo que foi visto na propaganda de televisão ou no tablete e conferido na vitrine de alguma loja ou na mão de um amiguinho que o ganhou no aniversário.  Vai cair na brincadeira se for brinquedo, ser experimentado se for roupa que vai para a mala de viagem de férias, a qual se não servir terá que ser trocada rápido, porque criança cresce todo dia.  Ou aqueles que ficarão guardados junto a uma mochila escolar linda como àquela caixa de lápis de cor, de cores que nem existem, até o reinício das aulas. Em tudo, o exagero. Coisas do consumismo.

E os presentes lá no pé da árvore esperando para serem abertos.




Chegam os últimos convidados. O menino e a menina gritam de alegria e alguém fala para distribuírem logo.  Decerto um avô ou uma avó, argumentando que, com a distribuição dos presentes, as crianças darão sossego e eles ficarão menos preocupados. Os adultos continuarão comendo e bebendo, bebendo e comendo e falando e falando,  Homens falam em negócios. Mulheres em moda.  Ainda estão no aperitivo. São mais moços. Têm tempo de “aproveitarem” a vida.



Os presentes são distribuídos, as crianças ruidosas agradecem pais, tios, padrinhos, amigos, e, de repente vem a gargalhada entre os maiores mostrando que os dois menores que estavam olhando o presépio abriram seus presentes trocados rasgando os lindos papéis e imediatamente passaram a  brincar. Eles ainda não foram atingidos pela propaganda, e nem estão em idade de prometerem de ser bonzinhos.  Nem perceberam a troca de brinquedos comparados por gêneros. Cada um brincou com aquele que desembrulhou e pronto. Tudo na mais santa paz e harmonia Não deu birra e nem briga porque nenhum adulto se meteu. Os adultos bebiam e comiam, comiam e bebiam.




Ano que vem a propaganda com Papai Noel se encarrega de fazer também dessas cabecinhas novos e exigentes consumistas. Será que já preconceituosos?  Que pena!

E o Menino Luz quietinho, no presépio lindo, esperava um presente, mesmo que pequeno. Quem sabe uma curta oração feita num segundo por um adulto.

Ali, porém, naquele exemplo de Família era um mero objeto de decoração.    

E os adultos comiam e bebiam, bebiam e comiam.

Ano que vem tem mais.       

Feliz Natal!



Festa de Natal - Totonha Lobo

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