A impaciência das crianças, logo no inicio de reuniões de natal, seria minimizada se os presentes fossem distribuídos logo que todos os pirralhos chegassem à festa.
Afinal qual o sentido de uma enorme árvore com os pacotes aos
seus pés? Somente instigar a curiosidade de que naqueles lindos pacotes estaria
o seu objeto de desejo?
E daí tem menino puxando a saia da mãe pedindo que comecem
logo a entrega. A menina gritando que também está querendo o seu. Daí vêm as respostas: espere
um pouco; falta chegar seu primo; espere, não chegaram todos os convidados. A
impaciência entre as crianças vai aumentando e assim aparecem os bicos, os
resmungos, as caras feias por conta da
insatisfação. A festa, para eles vai ficando enfadonha, enquanto os adultos só
no bebe, come, come e bebe, à vontade, em conversas de diferentes assuntos
esquecem que aquele dia é de crianças.
É dia do aniversário da Criança Luz que nasce e vem dar
sentido ao mundo. E a Criança ali quietinha, no presépio todo bem representado
em lindas e caras esculturas.
Dia de crianças, nossas esperanças, ainda que peraltas que
tentaram ficar “boazinhas” pelo menos por um dia ou horas, condição do Papai
Noel nas televisões para trazer o presente que deve ser um dos ali embrulhados.
Aquilo que foi visto na propaganda de televisão ou no tablete e conferido na
vitrine de alguma loja ou na mão de um amiguinho que o ganhou no
aniversário. Vai cair na brincadeira se
for brinquedo, ser experimentado se for roupa que vai para a mala de viagem de
férias, a qual se não servir terá que ser trocada rápido, porque criança cresce
todo dia. Ou aqueles que ficarão
guardados junto a uma mochila escolar linda como àquela caixa de lápis de cor,
de cores que nem existem, até o reinício das aulas. Em tudo, o exagero. Coisas
do consumismo.
E os presentes lá no pé da árvore esperando para serem abertos.
Chegam os últimos convidados. O menino e a menina gritam de
alegria e alguém fala para distribuírem logo.
Decerto um avô ou uma avó, argumentando que, com a distribuição dos
presentes, as crianças darão sossego e eles ficarão menos preocupados. Os
adultos continuarão comendo e bebendo, bebendo e comendo e falando e
falando, Homens falam em negócios.
Mulheres em moda. Ainda estão no
aperitivo. São mais moços. Têm tempo de “aproveitarem” a vida.
Os presentes são distribuídos, as crianças ruidosas agradecem
pais, tios, padrinhos, amigos, e, de repente vem a gargalhada entre os maiores
mostrando que os dois menores que estavam olhando o presépio abriram seus
presentes trocados rasgando os lindos papéis e imediatamente passaram a brincar. Eles ainda não foram atingidos pela
propaganda, e nem estão em idade de prometerem de ser bonzinhos. Nem perceberam a troca de brinquedos
comparados por gêneros. Cada um brincou com aquele que desembrulhou e pronto.
Tudo na mais santa paz e harmonia Não deu birra e nem briga porque nenhum adulto se meteu. Os adultos bebiam e comiam, comiam e bebiam.
Ano que vem a propaganda com Papai Noel se encarrega de fazer
também dessas cabecinhas novos e exigentes consumistas. Será que já preconceituosos? Que pena!
E o Menino Luz quietinho, no presépio lindo, esperava um
presente, mesmo que pequeno. Quem sabe uma curta oração feita num segundo por
um adulto.
Ali, porém, naquele exemplo de Família era um mero objeto de
decoração.
E os adultos comiam e bebiam, bebiam e comiam.
Ano que vem tem mais.
Feliz Natal!